Na cabeça da sociedade
Com mais de seis mil cirurgias, Fernando Basto é um dos principais especialistas em transplante capilar do PaísPor Beto Lagos, com foto de Bosco Lacerda
Quando você chega ao consultório do médico Frenando Bastos, no bairro das Grasças, Zona Norte do Recife, tem a exata noção do prestígio e reconhecimento que ele cumuda. O entra e sai era constante. Todos querendo uma consulta com um dos importantes especialistas em cirurgia plástica do País, membro de seis sociedades médicas cirúrgicas, sendo que três delas internacionais.
Aos 58 anos, formado pela Universidade de Pernambuco (UPE), Basto foi o primeiro cirurgião do Norte / Nordeste a realizar uma cirurgia de micro transplante capilar. Ele foi criador da técnica da "linha anterior irregular", que proporcionou uma naturalidade ás cirurgias de calvície e que vem sendo utilizada até hoje nos grandes centros do mundo.
Recifense e caçula de uma família de 11 filhos, Fernando foi o únco a seguir o sonho do pai. Ainda estudante de ginásio, leu uma reportagem numa antiga revista sobre uma tragédia ocorrida no Grand Circus Norte-Americano, que se apresentava em Niterói, no Rio de Janeiro, em 1961. Um incêndio que matou 372 pessoas e deixou vários feridos, sua maioria crianças, que precisavam de atendimento rápido por conta do fogo.
O que lhe impressionou foi o trabalho do médico Ivo Pitangui, que montou uma estrutura para ajudar os feridos, mesmo diante de uma greve de médicos estaduais e com o Hospital Antônio Pedro, o maior de Niterói, fechado.
"Vi Pitangui montar um grupo, de forma espontânea, ajudando as pessoas queimadas. Isso ficou marcado na minha vida, mostrando a dedicação dele e dos colegas para tratar as vítimas, pacientes delicados, poli traumatizdos diante de tudo que sofreram," Lembra.
Em 1981, o pernambucano se formou na Faculdade de Ciências Médicas, hoje UPE. Fez residências em Clínica Geral e em Cirurgia Plástica no Recife, no serviço comandado pelo médico Perseu Lemos, na Universidade Federal de Pernambuco. "Perseu é uma referência no Brasil. Dividia com Pitangui as atenções na área da cirurgia plástica e foi o único brasileiro convocado a trabalhar no Vietnã do pós-guerra".
Basto ganhou a atenção do médico e tornou-se primeiro assistente de Perseu. Foram nove anos na função, acumulando bagagem científica na cirurgia plástica estética e reparadora.
"A influência de Perseu que comecei a gostar de artes. Quem vai ao meu consultório pode ver quadros e esculturas que adquiro". Além das artes plásticas, outro habitat de Perseu virou uma marca do cirurgião: a música.
"Perseu operava ouvindo música clássica. Também faço isso, mas gosto de ouvir músicas instrumentais. Serve de relaxamento e concentração, já que a cirurgia é um momento altamente agradável e confortável pra mim".
Em 1989, já cirurgião plástico, Basto incorporou a suas especialidades a cirurgia da calvície. Ele lembra que antes, o tratamento era rudimentar e o resultado lembrava um "cabelo de boneca".
"A técnica usada era Oreitreich, com enxertos de couro cabeludos grandes e cilíndrico, deixando a aparência artificial. Também existia a técnica do professor argentino José Juri, que era o retalho de couro cabeludo, mas com resultado final não agradável".
Aquelas técnicas não satisfaziam Basto. Em 1990, no Rio de Janeiro, após um estágio na clínica de Ivo Pitangui, foi para São Paulo, aprender um novo tratamento da calvície, através dos micros enxertos, com o médico Munir Miguel Curi.
"Vi a técnica de Curi, mas quando voltei ao Recife uma mudança. Ele fazia a cirurgia com anestesia local, o que provoca dores no paciente na hora da infiltração, além da cirurgia ter que ser rápida, por conta do efeito da anestesia, e colocava pouco cabelo", conta. "Comecei a fazer a cirurgia com anestesia assosciada a sedação endovenosa, ou seja, como paciente ficava sedado. Com este novo procedimento, o paciente deixava a sala de cirurgia sem sentir dor. Com a sedação, o tempo aumentou para seis, sete horas e, com mais tempo, eu podia colocar mais cabelos", destaca Fernando.
Em 1993, o médico pernambucano desenvolvel a técnica de transplante capilar de linha anterior irregular e sinuosa, que virou referência mundial na restauração capilar. Com esta técnica, o resultado ganhou níveis de naturalidade e estética nunca antes alcançada na medicina reparadora.
Cirurgias Plásticas
Em 2009, foram realizadas 629 mil cirurgias plásticas no País, sendo 170 mil reparadoras (27% do total). Em 2014, foram 1,240 milhão de cirurgias plásticas, sendo 40% reparadoras (500 mil).
Aumento por conta dos casos de câncer de pele (o mais comum) e de redução de estômago, além da reconstrução mamária.
Fonte: Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP)
Motivos para Cirurgias Reparadoras/2014
Tumores cutâneas 39,9%
Defeitos congênitos 12%
Reconstrução mamária 7,1%
Acidentes domésticos 6,4%
Fonte: Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP)
Psicólogo
Fernando Bastos se tornou especialista em trasnplante capilar, indicado não apenas para a cabeça, mas também para sobrancelha, bigode, barba peito e até para região pubiana feminina.
"A cirurgia atende todos os anseios. Ela é voltada não apenas para corrigir a deficiência física, mas também para ajudar o lado psicológico da pessoa".
Conta que em várias ocasiões teve que pensar comoi psicólogo na hora da consulta. "O médico tem que ter a sensibilidade para observar se o paciente precisa de um tratamento cirúrgico ou se ele tem algum tipo de distúrbio psiquiátrico. O médico tem que ter essa sensibilidade para dizer que não vai operar, que não é o momento de fazer".
Basto foi responsável por mudar a classificação da calvície feminina. Antes, eram identificados três níveis de calvície: pequena, média e grande rarefação. Agora são seis. "Além da questão da rarefação, existem mulheres que estão ficando calvas por causa de doenças que provoca a perda do cabelo", explica. Essa solução ficou conhecida como Classificação de Basto.
Há um ponto que o médico não cansa de explicar aos seus pacientes: não existe cirurgia, por mais simples que seja, sem cicatriz. "Toda cirurgia deixa cicatriz, por menor que seja. A única que não deixa cicatriz é a espirutual".
Cirurgias Estéticas mais Realizadas em 2014
Aumento dos seios 22,5%
Lipoaspiração 18,5%
Retirada de excesso de seios 11,7%
Blefaroplastia (pálpebras) 11,1%
Fonte: Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP)
Procedimento Pagos por Convênio ou pelo SUS
2009 - 16,9%
2014 - 19,5%
Fonte: Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP)
Títulos
O cirurgião já publicou diversos trabalhos sobre sua técnica, reconhecida nos principais polos médicos do mundo. Foi fundador da Associação Brasileira de Cirurgia de Restauração Capilar (ABCRC), que existe desde 2003. E foi o primeiro médico da América do Sul a receber a certificação da disputa instituição norte-americana American Board of Hair Restoration Surgery.
São, em média, 22 cirurgias por mês, acumulando mais de seis mil cirurgias. Basto atende em sua clínica, que é administrada pela esposa, Èlida, e opera no Menorial São José. Caio, primeiro filho, segue a carreira do pai, no quarto ano de medicina. Gabriel, o segundo, fará vestibular para o mesmo curso. Apenas Amanda não seguiu a carreira e virou empreendedora do ramo de calçados.
A equipe clínica é composta por oito pessoas, enquanto a cirúrgica tem 11 membros, além de quatro anestesistas. O médico também faz consultas em Fortaleza e em Portugal, onde opera quatro vezes por ano.

